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3. Flor que se cheire

Quando o carro parou em frente ao prédio sofisticado de vinte andares, Sofia precisou de alguns minutos a mais para conseguir se mover. Ela abaixou o vidro da janela e encarou a construção de design clássico. Era luxuosa, como já estava esperando. Ficava em um bairro, na cidade de Valência, que também remetia a dinheiro e privilégio, daqueles que fazem as pessoas arrumarem a roupa e consertarem a postura quando precisam passar pelas suas ruas por seja lá qual for o motivo.
Sofia suspirou, ainda se acostumando com o fato de que o carro tinha parado e ela precisava se mover. Então era isso, ela havia chegado, depois de dez horas de voo e alguns minutos no carro desde o aeroporto até o que seria seu novo apartamento. Seu novo lar. Era a primeira vez em que moraria em um apartamento, mas esse era o menor dos seus desafios nessa nova etapa da vida.
Ela ainda não conseguia acreditar que tinha mesmo aceitado fazer aquilo.
Quem, em sã consciência, decidia se casar por dinheiro desse jeito?
― Basicamente todos os nossos antepassados ― o irmão da garota respondeu quando ela verbalizou suas angústias em forma de sarcasmo meses antes. Os dois tinham isso em comum, dentre outras coisas menos importantes. Ambos tinham os olhos cor de mel, a pele branca bronzeada e o cabelo natural loiro escuro (embora Sofia fizesse luzes regularmente). Apesar disso, a garota não tinha herdado os mesmos traços perfeitos do irmão, que parecia ter sido esculpido minuciosamente de acordo com o padrão de beleza ocidental. Ela precisou usar aparelho por causa dos seus dentes tortos e tinha as bochechas grandes demais, além de, é claro, não ser magra.
No momento da conversa com o irmão, ela revirou os olhos por causa da resposta dele e cruzou os braços nos seios robustos.
― Que legal pensar que nada mudou nos últimos duzentos anos e estou sendo vendida como uma vaca em pleno século XXI.
Alex piscou e entortou a cabeça, girando seu copo cheio de água com gelo e limão, parecendo um lorde espanhol, brilhando como ouro, enquanto o sol se derramava sobre ele no quintal da mansão da família Colón-Barrington. Eles eram, de fato, parentes distantes de não só uma, como três famílias reais europeias, inclusive a de Costa Malva. E isso fazia toda a diferença, às vezes.
― Não está sendo vendida se foi você quem deu os termos da transação ― ele disse, com um sorrisinho confiante. Sofia era muito mais cética do que o rapaz, o que a fazia ter também o sangue frio para tomar as decisões que estava tomando. Aquele foi o único momento de dúvida que ela se permitiu ter, conversando com ele. O único momento em que se deixou ouvir os sussurros do medo que a fazia repensar com muita cautela o que estava prestes a fazer.
Sofia pegou o copo com chá gelado em cima da mesa do jardim e deu um gole, deixando o líquido gelado ajudá-la a sair daquele lapso de julgamento. Ela não queria pensar demais no porque decidiu aceitar a proposta da sua mãe e se mudar para o outro lado do Atlântico para se casar com um completo desconhecido podre de rico. Ela não fazia ideia do motivo pelo qual o tal desconhecido endinheirado optou por tal negócio, já que a garota não conseguia enxergar o que ele estava ganhando ao ter que bancar uma patricinha brasileira difícil de agradar e cheia de opinião sobre tudo.
Esse era um dos momentos em que ela não podia negar que seus sobrenomes realmente contavam mais do que ela própria, mais do que sua personalidade. Eles podiam levá-la a qualquer lugar, mesmo sem um tostão. 
Até mesmo para o outro lado do planeta.
Que era onde ela estava agora, encarando o prédio chique de dentro do carro de vidros fumê. O motorista não disse nada e apenas esperou pacientemente enquanto Sofia tomava coragem para sair. O celular vibrou com uma mensagem do irmão, querendo saber se ela estava bem, mas Sofia deixou para responder depois.
Jogou o cabelo para trás, estufou o peito e abriu a porta. O motorista imediatamente saiu do carro para pegar a bagagem dela no porta-malas e logo um dos porteiros do prédio (vestido de um jeito ridículo, com um quepe vermelho na cabeça) veio ajudar.
― Boa tarde, senhorita ― ele disse. ― Está se mudando hoje? 
― Sim. Eu sou a nova moradora da cobertura.
O rapaz não esboçou qualquer emoção diferente e balançou a cabeça, com um sorriso cordial no rosto.
― Seja muito bem-vinda, estávamos lhe esperando. Dona Carmen pediu que cuidássemos bem da senhorita. À noite ela estará aqui, de volta da sua viagem.
Sofia assentiu, agradecida pela simpatia dele, embora já soubesse de tudo isso. Os dois funcionários se dividiram com as muitas malas dela e começaram a caminhar para dentro do prédio. Ela deu uma última olhada a sua volta e na silhueta da construção que ia até o céu, com seu olhar intenso. Mordeu o interior da bochecha, a fim de tentar trazê-la completamente para a realidade, e avançou prédio adentro.
***
Sofia estava deitada na cama gigante do maior quarto do apartamento, usando o vestido azul marinho que sua mãe tinha exigido que ela usasse quando fosse conhecer Carmen Espinosa pela primeira vez. Ela até pensou em ser rebelde e acabar vestindo outra roupa, mas sua mãe sabia das coisas quando se tratava de elegância e etiqueta. 
Sua mãe, aliás, odiaria vê-la naquele momento, amarrotando o vestido enquanto bebia refrigerante na cama, usando o computador para stalkear o futuro noivo. Sofia estremeceu ao pensar na palavra, mas não podia negar que, pelo menos, Edgar era um cara bem bonito.
Não que isso ajudasse em muita coisa na atual situação.
Ela fechou o laptop, sentindo o coração tamborilar, espalhando ansiedade por todo seu corpo. Respirou fundo, depois deu mais um gole na lata de Sprite diet, piscando os olhos cor de mel apenas quando os sentiu queimar. Talvez, se ela ficasse deitada ali, imóvel por tempo suficiente, o mundo inteiro pararia também e Sofia não precisaria lidar com nada daquilo. Nem com suas escolhas, nem com sua família disfuncional, ou com a futura sogra que, pelo que ela sabia, era uma mulher tão difícil de lidar e controladora quanto a avó de Sofia.
Talvez, se ela ficasse imóvel por tempo suficiente, acabaria desaparecendo e poderia, enfim, respirar aliviada no ritmo que bem entendesse.
Mas Sofia Colón-Barrington já devia saber que nada poderia ser tão simples assim.
Ao menos ela tinha outras coisas nas quais focar também, como as aulas na universidade que começariam na semana seguinte.
Ela abriu o computador novamente e entrou na sua caixa de email, onde havia uma mensagem ainda não lida da Comissão de Boas-Vindas da Universidade de Valência. Ela estava um ano “atrasada”, pois tinha tirado um ano sabático após terminar o ensino médio, mas ao menos a faculdade Sofia sentia que estava preparada para começar.
Ela leu o email com calma e havia um link que a direcionaria ao Discord dos calouros daquele ano letivo. Talvez ela devesse entrar. Talvez encontrasse, assim, amigos para quem dedicaria sua energia se Edgar fosse intragável demais. Ele também era aluno da Universidade de Valência, ela bem sabia. Cursava Negócios, o que era a coisa mais clichê e burguesa do mundo, mas o que esperar de um filhinho de papai.
Para ser bem sincera, Sofia não esperava nada dele que não fosse digno de uma boa revirada de olhos. Mas, ainda assim, por mais que tentasse se convencer de que ele era péssimo para não poder se decepcionar, a iminência do seu encontro a deixava ansiosa.
Não demorou muito para o interfone tocar e a garota sentiu o frio subindo pela espinha. Ela levantou e caminhou sem disposição até atender o aparelho.
― Oi?
― Olá, senhorita. A dona Carmen está subindo.
Não era uma pergunta. É claro que não, pois mulheres como Carmen Espinosa Alencar não pediam permissão para nada.
Era um aviso.
Sofia soltou um suspiro e estufou o peito, de repente preparada para qualquer coisa. Não porque se sentia assim; mas porque era preciso. 
― Ela está sozinha?  ― decidiu perguntar, sentindo o nervosismo bagunçar suas entranhas enquanto tentava controlá-lo. Se Alex estivesse ali, ele transformaria toda aquela situação em um grande show e seria o astro principal, o grande dono da maior dentre as performances e, assim, se distanciar da realidade ficava muito mais fácil.
Ela canalizou essa mesma energia, e foi mais fácil ainda quando o porteiro disse:
― Está sim, senhorita.
Então Edgar não tinha vindo com a mãe.
Por que? Será que estava com medo de conhecê-la? Não, mesmo se estivesse, Sofia tinha certeza de que ele não teria como escapar das ordens da mãe. Ela ficou aliviada por não precisar conhecê-lo naquele momento, mas foi também irritante.
Quem ele pensava que era para dar um bolo nela antes mesmo de se conhecerem? Então era assim que ele queria jogar?
― Ok. Eu tô pronta. Ela pode subir  ― disse, saboreando as palavras que não significavam nada. Não era ela quem dava as ordens ali, ela sabia muito bem disso. Mas se Carmen Espinosa Alencar ou seu filho achavam que podiam controlar Sofia e fazer o que bem entendessem, eles estavam muito enganados. Deviam ter pensando em que tipo de pessoa estavam trazendo para suas vidas, não só no sobrenome que ela carregava. E, para azar deles, Sofia nunca foi flor que se cheirasse.
Uma princesa, sim. Porém suas pontas eram afiadas.
Ela se encarou no espelho, o decote do vestido mostrando que, sim, ela era educada, mas sabia como jogar com as coisas que tinha a seu favor. Jogou o cabelo ondulado e loiro para trás e levantou o queixo, determinada a recuperar a própria coragem ― pois precisaria disso para sobreviver onde que quer que tenha se metido. 
― É, Sofia… Você tá fudida ― disse para si mesma, analisando a maquiagem leve e impecável que tinha feito após o banho de espuma na banheira da sua suite. Soltou uma risada meio macabra e balançou a cabeça. ― Ao menos a gente pode se divertir vendo o circo pegar fogo, não é mesmo? ― completou, como diriam os sábios ensinamentos do seu irmão mais velho.
E foi assim, com essa energia caótica, que ela caminhou para abrir a porta do apartamento. Mas aonde aquele novo caminho a levaria, ela ainda não fazia a mínima ideia.

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Oie, gente!!!!! E vamos de capítulo 3 e a entrada triunfal da nossa SOFIA COLÓN-BARRINGTON. Sim ela é a irmã + nova do Duque de "Bem-vindo ao Paraíso". Sim o Alex que ela menciona é ele. Sim, ela é quase tão caótica quanto o irmão. Coisa de família hahaha

Se estiverem lendo, please deixem um comentário pra eu saber <3 O que acharam da Sofi?

Quinta-feira tem mais, bbs

Beijooooooos e queijos

câmbio desligo.

Comentários (5)

geovanna
geovanna
17 jul 2023

amo personagens apocalípticos!!!!

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geovanna
geovanna
17 jul 2023

quero uma visita do duque em costa malva pra ontemmm

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geovanna
geovanna
17 jul 2023

DUQUEEEEE

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geovanna
geovanna
17 jul 2023

MINHA FAV CHEGOUUUU

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geovanna
geovanna
17 jul 2023

SOFIAAAAAAAAAA

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