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2. Nunca Te Pedi Nada

Victor sabia que precisaria passar por um trote, e estava até mesmo empolgado, mas nada te prepara para o real momento em que a coisa toda finalmente estava acontecendo (parcialmente).
Ele negaria até o dia de sua morte, mas tinha ficado bastante intimidado enquanto descia as escadas para encontrar o time de rúgbi no pátio, como foi intimado. O time era composto por 22 jogadores (15 titulares e 8 reservas) e todo ano pelo menos um jogador novo entrava através do programa de bolsas que levou Victor até ali. Ele não sabia quantos outros calouros havia além dele em 2021, mas torcia para que pelo menos não fosse o único.
Não que isso fosse fazer qualquer diferença.
― O que aconteceu com o seu cabelo? ― foi a primeira coisa que Toni disse a Victor quando o conheceu mais tarde naquele dia.
Após o rapaz voltar do seu “compromisso” no pátio do alojamento, ele e Caê acabaram indo parar no bar onde Toni trabalhava, que já estava aberto àquela hora, mas ainda era cedo demais para estar lotado. Toni estava lá naquela quinta e acenou para Caê de trás do balcão do bar assim que a viu. Os dois amigos de infância foram na direção dela, que estava secando copos, e se sentaram nos bancos vazios. Foi quando ela falou sobre o cabelo de Victor.
Ela já tinha visto fotos dele nas redes sociais de Caê e sabia que o rapaz tinha um belo e espesso cabelo negro. Mas quando entrou no Shenanigans naquela tarde, a cabeça de Victor estava raspada e em uma coloração loira amarelada e mal feita que só não era uma atrocidade completa porque ele quase não tinha cabelo nenhum restante! Ainda assim, Toni, que tinha muito orgulho das suas tranças recém recolocadas, achou um absurdo fazerem tal coisa com o pobre rapaz.
Ele deu de ombros, passando a mão grande pela cabeça. Toni registrou com o rabo de olho o tamanho da mão dele e, bem, se já não fosse um jogador de rúgbi, ela diria que essa seria uma ótima opção de carreira para começar a investir.
Ele estava no caminho certo.
― O pessoal do time raspou e descoloriu a cabeça dos novatos ― explicou. Era por isso que precisava comparecer ao pátio do alojamento com tanta urgência naquela tarde. Era um rito de passagem inadiável do time de rúgbi, algo que estava na verdadeira essência de transformar meninos em homens guerreiros que trariam glória à Universidade de Valência!
― O trote da UniVale finalmente começou! ― disse Caê em tom de sarcasmo. Ela era bastante cínica sobre o trote, mas o cinismo era praticamente a característica que mais descrevia Caê.
― E só mexeram no cabelo de vocês e mais nada?! ― o tom de voz de suspeita de Toni fez Victor ficar alerta. ― Isso é extremamente básico, eu esperava mais do time mais importante da Universidade conhecida pelos seus trotes.
Victor a encarou enquanto a garota secava um copo de vidro gigantesco. Ela estava usando uma camisa polo verde, que devia ser o uniforme do bar, e as tranças estavam presas em um rabo de cavalo. Toni tinha comprado recentemente uma armação redonda e invisível para os óculos, cujas lentes brilhavam tanto quanto os múltiplos piercings que a garota ostentava na pele negra e retinta. Uma argola aberta no septo, outra no nariz, outra na sobrancelha. Uma pedrinha do outro lado do nariz e três em cada orelha, além do brinco de estrela.
Ela e Caê tinham se conhecido mais de um ano atrás naquele mesmo bar, que era um dos maiores pontos de encontro da galera da UniVale. Toni já tinha feito muitos amigos graças ao seu emprego, mas nem todos permaneceram na sua vida por mais do que algumas semanas. Caê tinha sido uma exceção. Eles pegaram uma praia juntos em um fim de semana, com outros amigos de Toni, e consolidaram sua relação entre garrafas de cerveja e o famoso baseado que a garçonete sempre tinha dentro da sua bolsa.
Ele não terminava nunca.
Era uma lenda entre todos que conheciam a garota.
― O que você acha que eles vão fazer comigo? ― Victor perguntou. Ele estava com tanta fome que nem conseguia pensar direito. Apesar do medo de ser feito de palhaço pelos colegas do time, estava empolgado por estar em Valência. Não se importaria de ser feito de palhaço se fosse para se enturmar com a galera, o que era um pensamento… perigoso.
Toni deixou o último copo em cima da bancada e encarou o rapaz, o analisando. Ele era bem bonitinho e tinha uma expressão inocente no rosto, apesar de não parecer ser nem um pouco dócil. Toni era exatamente o contrário, pois tinha jeito e cara de quem estava pronta para morder o primeiro que a olhasse errado, mas na verdade era um poço de amor e arco-íris. Porém, ser uma mulher jovem trabalhando em um bar requer certas precauções.
Ela abriu seu sorriso afetuoso para Victor, com dentes branquinhos e perfeitos exceto por um, que era meio torto. Victor se sentiu aliviado no momento em que recebeu aquele sorriso, ele nem sabia o motivo. Não conhecia Toni o suficiente para isso, mas ela era uma dessas pessoas que tinham uma “energia contagiante”. Se ela dissesse que tudo ficaria bem, então Victor não tinha outra alternativa além de acreditar.
― Vai ficar tudo bem, não se estressa não ― ela garantiu. O rapaz assentiu, pronto para realmente não se estressar. ― Afinal de contas, a gente acabou de se conhecer, você não pode morrer agora.
― Eu ouvi falar bastante de você ― disse.
― Espero que isso seja mentira, porque eu sei bem que Caê só fala das pessoas quando é pra falar mal.
Victor soltou uma risada e foi naquele momento que decidiu que gostava da garota. Caê balançou a cabeça e soltou um suspiro, mas não tentou desmentir.
― O importante é que agora não preciso falar de ninguém, vocês podem se conhecer por conta própria.
― Victor, Caê já te disse sobre o que vamos fazer hoje a noite? ― Toni perguntou. ― Quer dizer, daqui a pouquinho já podemos ir.
Vic encarou a amiga de infância.
―  Não. O que vamos fazer hoje à noite?
Caê fez uma careta de “não faço ideia”.
―  Sei lá, essa doida decide as coisas e age como se eu pudesse ler a mente dela.
― Nada disso, eu tô perfeitamente sã ― Toni se defendeu. ―  E eu te falei sim sobre a calourada que vai rolar no prédio da reitoria, cara!
― Hã...
― Ei, eu quero ir na festa ― Victor se empolgou. ― Aliás, o pessoal do time me disse que preciso ir em uma festa que vai rolar hoje, eu só não sei se é a mesma.
― É a mesma ― disseram Caê e Toni em uníssono. Elas trocaram um olhar que poderia ser traduzido como “Vixe…”, pois se o time exigiu que Victor fosse a essa festa então era porque realmente estavam aprontando alguma coisa.
― Então a gente vai? Nós três? ― ele indagou.
― Sim, e mais outras pessoas legais também ― Toni garantiu, já pegando o celular no bolso da calça jeans para mandar uma mensagem para Emily, sua amiga de faculdade e uma das pessoas favoritas. Ela achava que Victor se daria bem com a garota.
Não era sempre que Toni podia sair à noite, por causa do trabalho, mas tentava aproveitar quando seu turno permitia tal feito. Ela recebia ajuda dos pais para manter o apartamento que dividia com outras duas universitárias, já que sua cidade natal era longe demais para ir e vir todos os dias. Mas se quisesse fazer qualquer coisa além de simplesmente sobreviver, precisava dar os seus pulos para conseguir dinheiro. Motivo pelo qual trabalhava no Shenanigans.
― Será que a gente pode comer alguma coisa antes de ir? ― Caê perguntou, com um sorriso sugestivo. ― A cozinha já tá aberta, né?
Toni guardou o celular no bolso outra vez. 
― Mesmo se não estiver, eu peço pro Maicon fazer alguma coisa pra vocês. Você quer o de sempre?
Caê estava a ponto de chorar de felicidade. A vida do universitário que não sabia cozinhar bem era dura. Ele nunca passaria fome, mas também nunca estava plenamente satisfeito com o que sabia fazer. Não era fácil depender de si mesmo.
― Por favor, eu nunca te pedi nada.
Toni riu com escárnio e se virou para ir na direção da cozinha.
― A gente sabe muito bem que isso não é verdade. Mas eu faço tudo por você.
Caê mandou um beijo para a amiga e Victor a observou enquanto Toni desaparecia, também feliz porque finalmente iria comer. Ele se virou para Caê, com um brilho no olhar que o fazia parecer um filhotinho de Golden Retriever, ainda mais com aquele cabelo amarelado. Caê precisou segurar a risada e girou no banco do bar.
― Ela é muito maneira ― disse Vic.
― É o que todos dizem.
― É com ela que você devia ter namorado, isso sim.
Caê soltou uma risada e pousou a cabeça na mão, encarando o amigo.
―  Mas ninguém manda no coração, não é mesmo, Victor?
Ele girou no banco também, com um sorriso infantil no rosto, sem sequer imaginar o peso das palavras que estava prestes a proferir:
― É, ninguém manda no coração. Mas a gente sempre pode tentar.
Caê não tinha muita certeza disso. Mas enquanto os dois esperavam pela sua comida e pela volta de Toni, acreditaram que tudo era possível.

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Oi, POVO!!! Não consegui publicar o capítulo 2 no domingo como queria, mas pelo menos nossa quinta-feita é de lei hahahaha <3 

EU AMO A TONI E IREI DEFENDÊ-LA SEMPRE! Só queria dizer isso.

E muito obrigada pelos comentários carinhosos no capítulo 1, VOCÊS SÃO TUDO. 

Quem tá curioso pra saber o desenrolar dos trotes da UniVale, hein??? Se tudo der certo, domingo tem capítuloooo

Beijos e queijos,

câmbio desligo.

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